O Brasil não pode
esperar que ela
peça ajuda.
A violência doméstica no Brasil não é uma exceção. É uma epidemia silenciosa que atravessa regiões, classes e histórias. O Viveiro da Promessa existe porque essas mulheres precisam de um lugar que já as esteja esperando, com as camas feitas, o portão aberto, a mão estendida.
É para ela que estamos construindo tudo isso.
Por que existimos
Entender o impacto social da violência doméstica no Rio Grande do Sul começa com os números, e eles não deixam espaço para dúvida. A violência doméstica no Rio Grande do Sul não é uma exceção. É uma crise silenciosa, cotidiana e documentada, e os números de 2025 não deixam espaço para dúvida.
Neste último ano, o RS registrou:
- 80 feminicídios consumados
- 264 tentativas de feminicídio
- Mais de 52 mil casos de lesão corporal
- Mais de 18 mil ocorrências de estupro
- Quase 70 mil pedidos de medida protetiva de urgência: mulheres precisando de proteção judicial de quem deveria amá-las
Mas o número que mais nos move é este:
- 95% das mulheres assassinadas em 2025 não tinham medida protetiva ativa
- 75% delas nunca tinham sequer registrado uma ocorrência policial
Elas não chegaram ao sistema. O sistema não chegou até elas.
E enquanto isso, o RS conta com apenas 14 casas-abrigo para seus 497 municípios. Isso significa que 96% das cidades gaúchas não têm nenhum lugar seguro para onde essa mulher possa ir.
Os feminicídios de 2025 deixaram 116 crianças órfãs no estado. Cento e dezesseis crianças que crescerão sem mãe, não por acidente, mas porque ela não encontrou uma saída a tempo.
A situação ficou tão grave que, pela primeira vez na história do Brasil, a Câmara dos Deputados criou uma comissão dedicada exclusivamente à realidade de um único estado: o Rio Grande do Sul.
O Viveiro da Promessa existe porque essa mulher existe. Porque ela está em algum lugar agora, em silêncio, sem saber que há uma casa sendo preparada para ela. E porque acreditamos, com fé e com trabalho, que chegar até ela antes que seja tarde demais não é utopia. É missão.
“O Brasil perde 1,2% do PIB por ano em consequência da violência contra a mulher.”
Para contextualizar: 1,2% do PIB brasileiro é mais do que o orçamento federal inteiro da saúde em vários anos. A maioria das pessoas nunca associou violência doméstica a economia.
Fonte: Pesquisa da UFC em parceria com o Instituto Maria da Penha, USP AUN
Nossa preparação
Esta semente está no coração da fundadora há três anos. E quem conhece de jardins sabe: o tempo entre plantar e germinar não é tempo perdido. É o trabalho mais importante de todos.
O Viveiro da Promessa ainda não abriu suas portas para a primeira residente. Mas o que está sendo construído aqui vai muito além de uma casa.
O que já está acontecendo:
- A casa está sendo organizada e preparada para receber com dignidade
- Estamos formando nossa diretoria. Conheça quem está construindo isso junto conosco
- Buscamos ativamente parcerias com universidades, faculdades e voluntários que queiram contribuir com sua expertise
- Nossa documentação institucional está em fase de elaboração e será finalizada assim que contarmos com os seis membros necessários para a constituição formal [link: documentos]
O que ainda está por vir:
- Os leitos ainda não estão prontos para receber residentes, e somos honestos sobre isso
- Os documentos legais estão quase lá, cada etapa feita com cuidado, sem atalhos
Mas enquanto a casa física se prepara, já estamos chegando até milhares de mulheres que talvez nunca cruzem nossa porta — porque não moram na nossa cidade, não vivem no RS, algumas nem estão no Brasil. Estamos construindo conteúdo em português para qualquer mulher que precise encontrar palavras que falem com ela.
A seção Compreender do nosso site já existe para isso: guias, devocionais, materiais de apoio pensados para quem está em silêncio e precisa de um ponto de partida.
Porque acolher não começa quando a porta se abre. Começa quando alguém, em algum lugar, encontra uma palavra que diz: você não está sozinha, e pela primeira vez, acredita nisso. Cada decisão tomada aqui tem um objetivo claro: construir uma estrutura de impacto social real, duradouro e responsável.
Enquanto a porta não se abre
Enquanto a porta não se abre, já estamos chegando até ela
O impacto social de uma casa de acolhimento não começa no dia em que a primeira mulher entra. Começa no dia em que ela encontra algo que a faz sentir que existe uma saída.
Desde 3 de maio de 2025, o Viveiro da Promessa existe também como espaço digital, aberto 24 horas, sem endereço, sem fila, sem precisar se identificar. Um lugar onde ela pode entrar às 3 da manhã, pelo celular, enquanto ele dorme no quarto ao lado.
A seção Compreender do nosso site está sendo construída para ela:
- Guias práticos sobre direitos, segurança e primeiros passos
- Devocionais e mensagens de encorajamento para quem está no silêncio
- Conteúdo educativo para quem ainda não consegue dar o primeiro passo presencial
- Material em português, acessível para qualquer mulher no RS, no Brasil, ou em qualquer lugar do mundo onde o português seja a língua do coração
Acreditamos que o impacto social verdadeiro não tem CEP. Uma mulher em Lisboa, em Maputo ou no interior do Piauí pode encontrar aqui o que não encontrou em lugar nenhum: palavras que a vejam.
Cada artigo publicado é uma porta aberta num momento em que a porta física ainda está sendo preparada.
Antes da primeira
residente,
a casa já floresce.
Não esperamos ter números para começar a trabalhar.
O impacto começa muito antes de uma porta se abrir.
Começa na preparação fiel de quem acredita que ela vai chegar.
Florescer é um ato de fé.
Nossa visão
Para onde estamos caminhando
Estes não são sonhos. São compromissos com ela, com Deus, e com quem confia em nós para construir isso junto.
Nossas metas para o primeiro ano:
- Formar uma rede de parceiros entre igrejas, universidades, profissionais de saúde e voluntários que multiplique o cuidado além das nossas parede
- Receber as primeiras residentes com estrutura completa de acolhimento, segurança e apoio psicossocial
- Publicar novos recursos na seção Compreender: guias, devocionais e materiais de apoio acessíveis para qualquer mulher de língua portuguesa, em qualquer lugar do mundo
Bloco 1 — A casa
Nossa primeira meta é receber residentes com estrutura completa: acolhimento seguro, apoio psicossocial, orientação jurídica e um ambiente que diga, sem palavras, que ela tem valor. Cada cama que for feita, cada documento assinado, cada voluntária que entrar pela porta está nos aproximando desse dia.
Bloco 2 — O alcance digital
Nossa segunda meta é continuar construindo a seção Compreender como um recurso de impacto social gratuito e acessível para qualquer mulher de língua portuguesa. Guias, devocionais, ferramentas de compreensão: conteúdo que ela pode acessar agora, hoje, sem precisar esperar por uma vaga.
Bloco 3 — A rede
Nossa terceira meta é não estar sozinhas. Queremos construir uma rede de parceiros: igrejas, universidades, profissionais de saúde, assistentes sociais e voluntários, que multiplique o cuidado além das nossas paredes. Porque o impacto social que buscamos é maior do que qualquer estrutura que possamos construir sozinhas.
Faça parte disso.
Ainda não temos
residentes.
Mas quando a primeira mulher chegar, ela vai encontrar uma casa preparada, uma equipe comprometida e um espaço que a estava esperando, porque você ajudou a construir isso.

DOAÇÕES
Ainda estamos finalizando nossa estrutura jurídica e abrindo nossa conta institucional. Em breve será possível apoiar o Viveiro da Promessa com doações formais e dedutíveis.
Por enquanto, a melhor forma de apoiar é:
- Compartilhar esta página
- Voluntariar o teu tempo ou expertise
- Entrar em contato para parcerias institucionais
Referências
BRASIL DE FATO. RS registra 80 feminicídios em 2025; maioria das vítimas foi morta dentro de casa. Brasil de Fato RS, 2 mar. 2026. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2026/03/02/rs-registra-80-feminicidios-em-2025-maioria-das-vitimas-foi-morta-dentro-de-casa/. Acesso em: 3 maio 2026.
EXTRA CLASSE. Alta dos feminicídios no RS expõe violência estrutural e reação tardia do Estado. Extra Classe, 30 dez. 2025. Disponível em: https://www.extraclasse.org.br/movimento/2025/12/alta-dos-feminicidios-no-rs-expoe-violencia-estrutural-e-reacao-tardia-do-estado/. Acesso em: 3 maio 2026.
IBGE — INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Mesmo com Lei Maria da Penha, somente 2,4% dos municípios oferecem casas-abrigo. Agência de Notícias IBGE, 25 set. 2019. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/25518-mesmo-com-lei-maria-da-penha-somente-2-4-dos-municipios-oferecem-casas-abrigo. Acesso em: 3 maio 2026.
POLÍCIA CIVIL DO RIO GRANDE DO SUL. Polícia Civil remete ao Judiciário quase 70 mil medidas protetivas em 2025. PC-RS, 30 jan. 2026. Disponível em: https://www.pc.rs.gov.br/policia-civil-remete-ao-judiciario-quase-70-mil-medidas-protetivas-em-2025. Acesso em: 3 maio 2026.
RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Justiça. Coordenadoria da Violência Doméstica e Familiar — CEVID. Abrigos para mulheres no RS. TJRS, [2020]. Disponível em: https://www.tjrs.jus.br/novo/violencia-domestica/orientacoes/abrigos-para-mulheres-no-rs/. Acesso em: 3 maio 2026.
UFRGS — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Uma em cada cinco prisões decretadas em 2025 no RS foi por violência doméstica. Humanista, 25 nov. 2025. Disponível em: https://www.ufrgs.br/humanista/2025/11/25/uma-em-cada-cinco-prisoes-decretadas-em-2025-no-rs-foram-casos-de-violencia-domestica/. Acesso em: 3 maio 2026.


