Você conhece uma mulher em situação de violência e ela precisa ir pra algum lugar seguro. Mas pra onde, exatamente? É uma casa-abrigo? Ou será casa de acolhimento? Mas você também viu que existe casa de acolhimento… Os nomes dos serviços se parecem, os sites do governo usam termos técnicos que ninguém explica direito, e ligar pro lugar errado pode custar um tempo que ela não tem.
Existem três tipos diferentes de acolhimento no Brasil, e eles não são intercambiáveis:
- casa-abrigo,
- casa de acolhimento e
- casa de passagem.
Saber qual se aplica à situação dela pode ser a diferença entre encontrar ajuda rápido e passar dias perdida em ligações e encaminhamentos errados. Este guia existe pra isso: te dar clareza no meio da confusão.
Glossário rápido
- Sigiloso: o endereço não é público, por segurança
- Encaminhamento: você não vai sozinha; um serviço (CREAS, delegacia, judiciário) direciona você pro lugar certo
- Acolhimento institucional: termo genérico do serviço social pra qualquer tipo de abrigo temporário
- DEAM: Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher
- CREAS: Centro de Referência Especializado de Assistência Social
Sinais de alerta: qual é o nível de risco real
Antes de saber pra qual casa encaminhar, ajuda entender o nível de risco. Esses são fatores que profissionais da rede de proteção usam pra avaliar gravidade, e que indicam que a situação pode exigir uma Casa-Abrigo, não só uma conversa ou um tempo fora de casa:
- Ele monitora o celular, as redes sociais ou a localização dela
- Já ameaçou matá-la, aos filhos, ou a familiares dela
- Já a agrediu por enforcamento, mesmo que uma vez
- Tem ou teve acesso a arma de fogo ou arma branca
- Já descumpriu uma medida protetiva de urgência existente
- A isolou de amigos, família ou de qualquer rede de apoio
- A ameaça aumentou em frequência ou intensidade recentemente
Nenhum desses sinais, isolado, define tudo. Mas quanto mais desses itens estiverem presentes, maior a urgência de buscar avaliação profissional (CREAS, DEAM, ou Ligue 180) em vez de tentar resolver sozinha.

Como ajudar sem julgar
Se você é quem está tentando ajudar, a forma como você conduz essa conversa importa tanto quanto a informação que você tem.
- Evite perguntar “por que você não vai embora?”
- Essa pergunta, mesmo bem-intencionada, coloca a responsabilidade nela. Sair de uma relação violenta é estatisticamente um dos momentos de maior risco, e ela sabe disso, mesmo sem saber explicar.
- Essa pergunta, mesmo bem-intencionada, coloca a responsabilidade nela. Sair de uma relação violenta é estatisticamente um dos momentos de maior risco, e ela sabe disso, mesmo sem saber explicar.
- Escute mais do que fale.
- Ela não precisa de um plano pronto na primeira conversa. Precisa saber que tem alguém que acredita nela.
- Ela não precisa de um plano pronto na primeira conversa. Precisa saber que tem alguém que acredita nela.
- Não dê ultimato.
- Frases como “se você não sair, eu não vou mais te ajudar” replicam a lógica de controle que ela já vive em casa.
- Frases como “se você não sair, eu não vou mais te ajudar” replicam a lógica de controle que ela já vive em casa.
- Respeite o tempo dela.
- Pode levar várias tentativas até que ela consiga sair de fato. Isso não é fracasso dela, nem seu.
- Pode levar várias tentativas até que ela consiga sair de fato. Isso não é fracasso dela, nem seu.
- Não confronte o agressor diretamente.
- Isso pode aumentar o risco pra ela, não reduzir.
- Isso pode aumentar o risco pra ela, não reduzir.
- Cuidado com redes sociais.
- Não publique, marque ou comente nada que possa indicar que ela está buscando ajuda ou saindo de casa.
- Não publique, marque ou comente nada que possa indicar que ela está buscando ajuda ou saindo de casa.
- Ofereça companhia prática, não só conselho.
- Se oferecer pra ligar pro 180 junto com ela, ou pra ir junto até o CREAS, costuma valer mais do que qualquer discurso.
Agora vamos destrinchar cada uma com exemplos reais do dia a dia.
Casa de Passagem: “preciso sair agora, mas não corro risco de morte”
O que é: acolhimento de curtíssima duração (geralmente 15 dias, prorrogáveis por mais 15) para mulheres que precisam de um lugar seguro enquanto se reorganizam, mas cuja situação não envolve ameaça de morte iminente.
| Para quem | Mulher em situação de violência, sem risco de morte iminente |
| Endereço | Geralmente conhecido |
| Duração | Curta (15 a 30 dias) |
| Como entrar | CREAS, Centro de Referência da Mulher |
Exemplo do dia a dia: Imagine uma mulher que discutiu com o companheiro, foi agredida verbalmente e empurrada, mas não há histórico de ameaça com arma, nem descumprimento de medida protetiva. Ela não sabe pra onde ir depois de sair de casa, mas precisa de um lugar seguro por alguns dias enquanto se reorganiza, conversa com a família, ou espera uma vaga em outro lugar. A Casa de Passagem é pensada exatamente para esse tipo de situação: um respiro rápido, não um esconderijo permanente.
Casa-Abrigo: “minha vida está em risco”
O que é: serviço de alta complexidade e sigiloso, previsto na Lei Maria da Penha, para mulheres (acompanhadas ou não dos filhos) em risco de morte ou ameaça grave. O acesso não é espontâneo: é feito por encaminhamento (Delegacia da Mulher, CREAS, Judiciário, Ministério Público).
| Para quem | Mulher em risco de morte / ameaça grave |
| Endereço | Sigiloso |
| Duração | Média/longa (até 90 dias, podendo estender) |
| Como entrar | Encaminhamento formal (DEAM, Judiciário, CREAS) |
Exemplo do dia a dia: Imagine uma mulher que já tem medida protetiva de urgência, mas o agressor continua aparecendo perto de casa, do trabalho, da escola dos filhos, descumprindo a medida repetidamente. Ele já ameaçou matá-la. Ela não pode simplesmente ir para a casa de uma amiga ou parente, porque ele sabe onde procurar. Nesse caso, o endereço sigiloso da Casa-Abrigo, prevista na Lei Maria da Penha, não é burocracia. É a diferença entre segurança e risco real.
Casa de Acolhimento (genérica): nem toda vulnerabilidade é violência doméstica
O que é: acolhimento institucional mais amplo, ligado à rede de Assistência Social (SUAS), que atende famílias inteiras, pessoas em situação de rua, migrantes, ou vítimas de desastres naturais. Não foi desenhado especificamente para o risco que envolve um agressor ativo tentando localizar a vítima.
| Para quem | Famílias, pessoas em situação de rua, vítimas de desastre |
| Endereço | Conhecido |
| Duração | Variável |
| Como entrar | Demanda espontânea ou CRAS/CREAS |
Exemplo do dia a dia: Imagine uma família que perdeu a casa em uma enchente, ou uma pessoa que está temporariamente sem moradia e sem rede de apoio. A Casa de Acolhimento oferece teto, comida e suporte social, mas não tem, e não precisa ter, a mesma estrutura de sigilo que uma Casa-Abrigo, porque a natureza do risco é diferente.

O que levar, se der tempo
Numa saída de emergência, ninguém tem cabeça pra pensar em lista. Mas se houver alguns minutos, isso ajuda muito nos primeiros dias:
- Documentos pessoais (RG, CPF, certidão de nascimento dos filhos, comprovante de residência)
- Cópia da medida protetiva, se já existir
- Remédios de uso contínuo, dela e dos filhos
- Um pouco de dinheiro, se for possível guardar sem chamar atenção
- Carregador de celular
- Uma muda de roupa e itens básicos das crianças
Um ponto que merece atenção especial: o momento logo depois do Boletim de Ocorrência é um dos mais perigosos, não um dos mais seguros. Registrar o B.O. tira do agressor a sensação de controle sobre a situação, e é justamente essa perda de controle que costuma provocar as reações mais violentas.
Voltar pra casa logo após a denúncia, esperando que o registro por si só vá conter o agressor, é um dos erros mais fatais nesse processo. Especialistas em segurança da mulher são unânimes: depois de registrar o B.O., o ideal é não retornar ao mesmo endereço sem antes ter uma medida protetiva em vigor e, se houver qualquer indício de risco elevado (veja os sinais acima), um plano de acolhimento fora de casa. A denúncia é o começo da proteção, não o fim do risco.
Se não der tempo de pegar nada disso na lista antes de sair, não tem problema. Mas não volte na casa depois que informou o agressor que irá sair da relação. A prioridade é sair em segurança, e não voltar para buscar itens pessoais. Documentos, roupa, itens pessoais… Tudo isso pode ser resolvidos depois, com o apoio da equipe do CREAS, Policias, ou na própria da Casa-Abrigo que tem itens para usar.
Por que muitos municípios têm casa de acolhimento, mas não Casa-abrigo
É comum uma cidade ter uma Casa de Acolhimento genérica (via CREAS) e não ter o serviço especializado e sigiloso de Casa-Abrigo. Isso não significa falta de cuidado. Significa, na maioria das vezes, que o serviço especializado ainda não foi estruturado ali, especialmente fora das grandes capitais.
Esse vazio não é exceção, é a regra no Brasil.
Um levantamento do IBGE, analisado por Estevam e Vieira (2025) em revisão da literatura científica sobre o tema, mostra que apenas 2,4% dos municípios brasileiros contam com pelo menos uma Casa-Abrigo, isso em um país onde, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública citados pelos mesmos autores, uma média de quatro mulheres é vítima de feminicídio por dia. Reconhecer essa lacuna é o primeiro passo pra começar a preenchê-la. Se quiser ler mais dados, nosso artigo sobre dados e estatísticas pode dar uma luz.
A dimensão do problema, em números
Antes de entrar nos dados específicos do Brasil, vale entender a escala do problema que esses serviços existem para enfrentar. Segundo o relatório de estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado em 2021 com base em dados de mais de 160 países:
| Mulheres afetadas no mundo, ao menos uma vez na vida | quase 1 em cada 3 (até 852 milhões) |
| Prevalência global de violência por parceiro íntimo (vida toda) | 27% |
| Prevalência na América Latina e Caribe (vida toda) | 25% |
| Prevalência na América Latina e Caribe (últimos 12 meses) | 16% |
| Mulheres jovens (15–19 anos) já vitimadas pelo parceiro | quase 1 em cada 4 |
| Homicídios de mulheres cometidos por parceiro íntimo | 38% a 40% |
A América Latina e Caribe está entre as regiões mais afetadas do mundo, atrás apenas da África Subsaariana, do Sul da Ásia e dos países classificados como “menos desenvolvidos”. E a violência começa cedo: quase 1 em cada 4 mulheres de 15 a 19 anos que já tiveram algum relacionamento já foi vítima de violência física e/ou sexual por parte do parceiro.
Esse último dado, o de homicídios, é o que mais importa pra entender por que a Casa-Abrigo existe: com proteção real e endereço sigiloso, ela não é um exagero. É, muitas vezes, a diferença entre a vida e a morte.
Para refletir…
O acolhimento verdadeiro vai além de tirar a mulher do risco imediato: envolve prepará-la para reconstruir uma vida livre de violência.
O que a pesquisa mostra sobre as Casas-Abrigo no Brasil
Casas-Abrigo não são uma invenção recente nem exclusivamente brasileira. A primeira experiência do tipo surgiu em 1971, em um bairro de Londres, quando a ativista Erin Pizzey transformou uma casa alugada para apoiar mulheres em um refúgio para quem sofria violência do companheiro. Hoje esse modelo é mundialmente conhecido como Women’s Refuge.
Dali, a ideia se espalhou pela Europa e pelos Estados Unidos ao longo da década de 1970, sempre evoluindo: as primeiras casas tinham endereço público, mas logo as equipes perceberam que o sigilo do endereço era indispensável para proteger de fato as mulheres acolhidas.
No Brasil, a primeira Casa-Abrigo surgiu em 1986, em São Paulo: o Centro de Convivência para Mulheres Vítimas de Violência, conhecido como Casa Abrigo Convida. Mas foi só com a promulgação da Lei Maria da Penha, em 2006, que o modelo passou a se espalhar de forma mais consistente pelo país, como estratégia para reduzir os números crescentes de feminicídio.
Um serviço heterogêneo, sem modelo único
Um dos achados mais consistentes na literatura científica sobre Casas-Abrigo no Brasil é a falta de padronização, e variam bastante de cidade para cidade e de estado para estado :
- o funcionamento,
- as regras internas,
- o quadro de profissionais e
- até o órgão ao qual a casa está subordinada
Isso significa que a experiência de uma mulher acolhida em uma Casa-Abrigo pode ser bem diferente dependendo de onde ela mora, o que pesquisadores apontam como um problema real de política pública, e não apenas uma curiosidade administrativa.
Como referência de porte, o modelo da cidade de São Paulo dá uma ideia de estrutura de uma Casa-Abrigo em funcionamento:
- Capacidade: cerca de 20 pessoas por unidade, entre mulheres e filhos
- Duração: até 180 dias de acolhimento, podendo ser prorrogado conforme avaliação técnica
- Equipe: gerente de serviço, profissional técnica (psicologia ou serviço social), orientadoras socioeducativas e agentes operacionais responsáveis pela segurança noturna
Os desafios documentados
A pesquisa é honesta sobre as dificuldades reais desse tipo de serviço, e isso importa, porque entender os desafios ajuda a construir casas melhores, não a desistir delas.
- Adaptação às regras é difícil.
- Por questão de segurança, o contato com o mundo exterior costuma ser restrito enquanto a mulher está acolhida, às vezes incluindo a retenção temporária do celular. Estudos mostram que esse isolamento, embora necessário, pode gerar sentimento de aprisionamento e ser um fator determinante para pedidos de desligamento antecipado.
- Por questão de segurança, o contato com o mundo exterior costuma ser restrito enquanto a mulher está acolhida, às vezes incluindo a retenção temporária do celular. Estudos mostram que esse isolamento, embora necessário, pode gerar sentimento de aprisionamento e ser um fator determinante para pedidos de desligamento antecipado.
- Retorno ao agressor é uma realidade recorrente.
- Vários estudos, ao longo de mais de duas décadas de pesquisa no Brasil, documentam que uma parte significativa das mulheres deixa a Casa-Abrigo antes do tempo recomendado pela equipe técnica, muitas vezes retornando à situação de violência. Isso não é falha da mulher; é reflexo de quão difícil é reconstruir uma vida em pouco tempo, sem rede de apoio, sem renda e sem moradia própria.
- Vários estudos, ao longo de mais de duas décadas de pesquisa no Brasil, documentam que uma parte significativa das mulheres deixa a Casa-Abrigo antes do tempo recomendado pela equipe técnica, muitas vezes retornando à situação de violência. Isso não é falha da mulher; é reflexo de quão difícil é reconstruir uma vida em pouco tempo, sem rede de apoio, sem renda e sem moradia própria.
- Qualificação da equipe é decisiva.
- A formação e a capacitação contínua das profissionais que trabalham nas Casas-Abrigo aparecem repetidamente como um fator que separa experiências positivas de experiências frustrantes para as mulheres acolhidas. Onde há equipe bem preparada e trabalho verdadeiramente interdisciplinar, os relatos das mulheres tendem a ser de acolhimento, escuta e recuperação da autoestima.
- A formação e a capacitação contínua das profissionais que trabalham nas Casas-Abrigo aparecem repetidamente como um fator que separa experiências positivas de experiências frustrantes para as mulheres acolhidas. Onde há equipe bem preparada e trabalho verdadeiramente interdisciplinar, os relatos das mulheres tendem a ser de acolhimento, escuta e recuperação da autoestima.
- O pós-acolhimento é o elo mais frágil.
- Sair da Casa-Abrigo não é o fim do processo. É o começo de um novo desafio: encontrar emprego, resolver documentação, acessar benefícios sociais, muitas vezes tendo que mudar de cidade ou de trabalho por segurança. A pesquisa mostra que a dificuldade nessa fase é um dos principais motivos que levam mulheres a retornar ao convívio com o agressor.
Para refletir…
A pesquisa mostra que a dificuldade nessa fase é um dos principais motivos que levam mulheres a retornar ao convívio com o agressor.
O papel da rede de apoio depois da saída
Um achado que aparece de forma consistente em diferentes estudos: a rede de apoio pós-acolhimento (família, em primeiro lugar, seguida pela comunidade) é o fator mais associado à reconstrução bem-sucedida da vida de uma mulher depois da Casa-Abrigo.
Mulheres que conseguem manter ou reconstruir vínculos com filhos, irmãos e pais têm mais chance de não retornar à situação de violência. Já a ausência dessa rede é apontada como um dos fatores que mais empurram uma mulher de volta para o agressor.
Isso reforça algo que talvez pareça óbvio, mas que a pesquisa confirma com dados: uma Casa-Abrigo que só oferece teto e proteção física, sem trabalhar a reconstrução de vínculos e autonomia da mulher, cumpre só parte da sua função. O acolhimento verdadeiro vai além de tirar a mulher do risco imediato: envolve prepará-la para reconstruir uma vida livre de violência.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre casa de acolhimento e casa abrigo?
Casa de acolhimento é um termo genérico da assistência social, sem sigilo, para diversos tipos de vulnerabilidade. Casa-abrigo é específica para mulheres em risco de morte por violência doméstica, com endereço sigiloso.
Como faço pra entrar numa casa abrigo?
Não é possível ir diretamente. O encaminhamento é feito pela Delegacia da Mulher (DEAM), pelo CREAS, pelo Centro de Referência de Atendimento à Mulher, ou por ordem judicial.
Casa abrigo é a mesma coisa que casa de passagem?
Não. Casa de passagem é de curta duração e para situações sem risco de morte. Casa-abrigo é de duração maior, sigilosa, e para risco de vida.
É o CRAS ou o CREAS que cuida disso?
O CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) é a porta de entrada da assistência social: atende famílias em situação de vulnerabilidade geral, faz cadastro em programas sociais e orienta sobre benefícios. Não é o serviço que encaminha casos de violência doméstica em risco.
Já o CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) é quem lida com situações de alta complexidade, incluindo violência contra a mulher, e é quem faz o encaminhamento para Casa-Abrigo ou Casa de Passagem. Na dúvida sobre qual procurar, o CREAS é o ponto de referência para violência doméstica.
Preciso de boletim de ocorrência para conseguir abrigo? Depende do município e do serviço, mas a recomendação da Defensoria Pública é que boletim de ocorrência não seja exigido como pré-requisito.
Posso levar meus filhos para a casa abrigo?
Sim, mulheres podem ser acolhidas acompanhadas ou não de seus filhos. Alguns abrigos tem uma idade máxima para filho (sexo masculino) até 16 anos sendo que há convivência com outros menores no local. Verifique com a casa antes.
O que fazer se não sei se minha situação é grave o suficiente?
Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190 (Polícia Militar). Uma avaliação profissional, não você sozinha, deve determinar o nível de risco. Muitas mulheres minimizam a própria situação.
Sobre a Viveiro da Promessa
A Associação Viveiro da Promessa (AVP) está em fase de estruturação. Hoje, começamos pequenas, mas nosso objetivo declarado é nos tornarmos uma Casa-Abrigo plena, com toda a estrutura de sigilo, equipe multidisciplinar e capacidade de acolhimento que esse serviço exige.
Por isso, antes de crescer, estamos priorizando o que a pesquisa mostra que mais falta nas Casas-Abrigo brasileiras: protocolo claro, equipe capacitada e processos bem definidos, desde o início.
Não é falta de pressa, é decisão consciente. Como este próprio artigo mostrou, muitos dos problemas documentados nas Casas-Abrigo do Brasil vêm justamente da falta de padronização e de preparo estabelecidos com antecedência. Estamos construindo esses alicerces agora, para que, à medida que os recursos chegarem, possamos acolher mais de uma mulher por vez com segurança e qualidade, não às pressas.
Se você está tentando entender como estruturar apoio pra mulheres em situação de violência na sua região, e não sabe por onde começar, conte com a gente. Conheça nosso trabalho.

A gente está trabalhando pra mudar esse número, um protocolo de cada vez.
Se você está em risco agora
Ligue 190 (Polícia Militar) em caso de perigo imediato, ou 180 (Central de Atendimento à Mulher, também disponível por WhatsApp) para orientação e encaminhamento correto.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui orientação de um profissional da rede de proteção. Se você precisa de ajuda, não espere.
Referências
BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8º do art. 226 da Constituição Federal, e dá outras providências (Lei Maria da Penha). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 8 ago. 2006.
BRASIL. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Acessar a Unidade de Acolhimento. Portal Gov.br. Disponível em: https://www.gov.br/pt-br/servicos/acessar-unidade-de-acolhimento. Acesso em: 10 jul. 2026.
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (CNJ). CNJ Serviço: o que são e como funcionam as Casas Abrigo. Portal CNJ, 24 jul. 2020. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/cnj-servico-o-que-sao-e-como-funcionam-as-casas-abrigo/. Acesso em: 10 jul. 2026.
ESTEVAM, R.; VIEIRA, E. M. Casas Abrigo no Brasil, instrumentos de proteção à vida: revisão narrativa da literatura. Serviço Social & Sociedade, São Paulo, v. 148, n. 1, e-6628435, 2025. DOI: 10.1590/0101-6628.435.
GESUAS. Acolhimento Institucional: o que é e quais as modalidades? Blog do GESUAS, 2026. Disponível em: https://blog.gesuas.com.br/acolhimento-institucional/. Acesso em: 10 jul. 2026.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO (TJSP). Mulheres em situação de violência doméstica podem solicitar abrigo temporário. Comunicação Social TJSP. Disponível em: https://www.tjsp.jus.br/Noticias/Noticia?codigoNoticia=62105. Acesso em: 10 jul. 2026.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Violence against women prevalence estimates, 2018: global, regional and national prevalence estimates for intimate partner violence against women and global and regional prevalence estimates for non-partner sexual violence against women. Geneva: WHO, 2021. Disponível em: https://prevention-collaborative.org/wp-content/uploads/2021/08/WHO_2021_VAW-Estimates.pdf. Acesso em: 10 jul. 2026.
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Se você está passando por um momento especialmente difícil e quer conversar com alguém de forma profissional, ligue para o 180. É a Central de Atendimento à Mulher, é sigiloso e não aparece na sua conta telefônica.
Se você estiver em perigo agora, ligue 190.

