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Por Que Deus Me Abandonou? Uma Resposta Para Quem Sofreu

Por Que Deus me Abandonou no meu sofrimento?

Por Que Deus Me Abandonou Quando Eu Mais Precisei? Uma pergunta para quem orou e ouviu apenas silêncio.


Existe uma pergunta que mora no corpo antes de se tornar palavras.

Ela mora nas manhãs em que você acordava com medo. Nas noites em que você ficava quieta, mal respirando, esperando que ele não percebesse que você estava acordada. Nos momentos em que você orou, em silêncio, com o coração na garganta, no banheiro com a porta trancada, e nada mudou. O sol nasceu de novo. Ele ainda estava lá. E o céu continuou calado.

Essa pergunta tem muitos nomes. Às vezes ela chega como um sussurro: onde estava Deus? Às vezes ela chega como um grito: por que Deus me abandonou? Às vezes ela nem tem som. É só um vazio onde a fé costumava morar.

Se é isso que você está carregando, quero que você saiba: você não está errada em perguntar. Você não é fraca. Você não está falhando na fé.

Você está fazendo o que os santos sempre fizeram.


Primeiro: Algumas Respostas Que Te Deram Estavam Erradas

Antes de ir a qualquer outro lugar, precisamos parar aqui.

Porque algumas de vocês não estavam apenas sofrendo. Vocês foram ditas, por pessoas que deveriam saber melhor, por pastores, por familiares, por pessoas bem-intencionadas dentro de igrejas, que o sofrimento era a vontade de Deus. Que você precisava se submeter. Que Deus odeia o divórcio mais do que odeia o que estava sendo feito com você. Que sua dor era um chamado. Que ficar era fidelidade.

Essas vozes não eram a voz de Deus. Eram a voz de uma teologia quebrada, ou usada como arma, ou simplesmente equivocada.

Deus não chama ninguém a ser espancada. Deus não pede que uma mulher suporte violência em seu nome. A mesma Escritura que fala de casamento fala de um Deus que está perto dos que têm o coração partido, que faz justiça pelos oprimidos, que ouve o clamor dos que sofrem. O mesmo Jesus que falou de aliança também tocou os intocáveis, libertou os cativos e disse: Eu vim para que vocês tenham vida, e vida em abundância.

Se alguém te disse que seu sofrimento era o plano de Deus para sua santificação, que você precisava orar mais e ficar mais tempo, que sair era pecado, essa pessoa estava errada. E se essas palavras te feriram, colocaram vergonha em cima da sua dor, fizeram você se sentir abandonada não apenas por um homem, mas pelo próprio Deus, sinto muito. Isso não foi o evangelho. Foi um dano cometido em nome de Deus.

E é por isso que essa pergunta dói tão fundo.

Alguém fez marcas na sua vida que não deveriam estar lá. Mas elas não são a planta original. Deus conhece cada linha que foi desenhada sobre você sem sua permissão, e nenhuma delas é a última palavra sobre quem você é.
Alguém fez marcas na sua vida que não deveriam estar lá. Mas elas não são a planta original. Deus conhece cada linha que foi desenhada sobre você sem sua permissão, e nenhuma delas é a última palavra sobre quem você é.

A Pergunta É Antiga e É Santa

Você não é a primeira pessoa a clamar para o silêncio.

Os Salmos estão cheios disso. Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste? Essas não são as palavras de alguém sem fé. São as palavras de Davi, um homem segundo o coração de Deus, que sabia o que era ser perseguido, estar desesperado, sentir-se completamente sozinho. O livro dos Salmos é o livro mais honesto da Bíblia, e ele transborda de lamento, de raiva, do grito rasgado de alguém que esperava por Deus e encontrou silêncio.

Jó também perguntou. Ele não fez nada de errado. Sofreu mesmo assim. E quando seus amigos vieram com suas explicações, dizendo que ele devia ter pecado, que Deus devia estar ensinando algo, que devia haver uma razão, Deus olhou para esses amigos no final do livro e disse: Vocês não falaram de mim o que é certo.

Explicações que protegem Deus à custa de quem está sofrendo não são teologia justa. São o que os amigos de Jó fizeram.

E então há Jesus. Na cruz, no pior momento de sua vida, ele gritou as palavras do Salmo 22: Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste? Quando Jesus disse isso em voz alta, ele estava dando nome ao que você talvez só ouse pensar. Ele não estava perdendo a fé. Estava clamando do lugar mais escuro que existe, e esse clamor chegou.

Se Jesus teve permissão de se sentir abandonado, você também tem.


Por Que Deus Parece Estar em Silêncio

Muitas razões são dadas para o silêncio de Deus. Algumas são verdadeiras. Muitas são cruéis. Aqui estão as mais comuns, e o que a Escritura realmente diz sobre cada uma.

O que costumam dizerO que a Escritura nos mostra
Deus está te punindoO sofrimento não é castigo divino. Jesus deixou isso claro em João 9.3. Culpa não é a resposta.
Você não orou com fé suficienteDeus ouve até o gemido sem palavras. Paulo escreve em Romanos 8.26 que o Espírito intercede por nós quando não sabemos nem o que pedir.
Deus aprova o que está acontecendoDeus odeia a violência. O Salmo 11.5 diz que sua alma aborrece o que ama a violência. Ele não aprovou nada do que foi feito com você.
Seu casamento é sagrado e vale mais do que sua segurançaJesus disse que veio para que você tenha vida, e vida em abundância. Nenhuma aliança foi feita para destruir quem ela deveria proteger.
Deus está usando isso para te ensinar algoTiago 1.13 diz que Deus não tenta ninguém com o mal. Ele não usa a crueldade de outro ser humano como ferramenta pedagógica.
Se Deus existisse, ele teria agidoDeus age. Mas muitas vezes age através de pessoas, de saídas que se abrem, de mãos que se estendem. Às vezes ele esperava que as pessoas ao redor agissem, e elas falharam. Isso é falha humana, não ausência divina.
Você precisa perdoar primeiro para Deus te ouvirO Salmo 34.18 diz que o Senhor está perto dos que têm o coração partido. Não há condição de entrada para o clamor. Você não precisa estar curada para ser ouvida.

O Mal É Real e Tem Nome

Precisamos nomear algo que frequentemente é evitado nas conversas sobre sofrimento: o mal existe. O mal é real. Ele não é apenas uma abstração filosófica ou um conceito distante. Ele está no mundo, age no mundo, e habita nas escolhas que seres humanos fazem.

Paulo escreveu para a igreja em Éfeso que nossa luta não é contra seres humanos, mas contra forças espirituais do mal. O abuso doméstico carrega as marcas dessa força porque ele:

  • Desumaniza deliberadamente uma pessoa feita à imagem de Deus
  • Usa o amor como instrumento de controle e destruição
  • Isola a vítima de quem poderia ajudá-la
  • Usa a religião, a culpa e o medo como correntes invisíveis
  • Ataca a identidade, a dignidade e o senso de realidade de quem sofre

Isso não tira a responsabilidade do agressor. Pelo contrário, reforça a gravidade do que ele escolheu. Ele cedeu a uma força que destrói, e essa escolha foi dele. Nomear o mal pelo que ele é não é amargura. É verdade. E a verdade tem poder para libertar.


Onde Estava Deus? Histórias de Quem Orou e Foi Respondido

Deus estava ausente? A Bíblia conta uma história diferente. Ela está cheia de pessoas que chegaram ao fundo, que oraram do lugar mais escuro, e que foram encontradas por um Deus que não abandona.

Hagar era escrava. Foi usada, maltratada e depois expulsa para o deserto com seu filho para morrer. Estava sozinha. Estava com medo. E no deserto, Deus a encontrou, não para se explicar, não para dar uma palestra teológica, mas para vê-la. Ela deu a Deus um nome naquele dia: El Roi. O Deus que me vê. Esse nome sobreviveu milênios porque ele alcança um lugar que poucas palavras alcançam. Não o Deus que impediu tudo. O Deus que .

Hana orava no templo com tanta angústia que o sacerdote pensou que ela estava bêbada. Estava despedaçada por dentro, invisível para os que a rodeavam, carregando uma dor que ninguém ao seu redor conseguia compreender. Ela derramou sua alma diante de Deus, e Deus a ouviu. Não apenas resolveu a situação. Ele a viu como pessoa inteira, não como um problema a ser resolvido, e a respondeu.

Rute perdeu tudo. Perdeu o marido, perdeu a terra, perdeu o lugar que lhe pertencia. Era uma estrangeira, viúva, sem proteção, num mundo que não tinha lugar para mulheres nessa condição. Ela não teve um milagre instantâneo. Ela teve fidelidade cotidiana, um passo de cada vez, numa terra desconhecida, com uma sogra igualmente despedaçada ao seu lado. E Deus foi tecendo restauração naquilo que parecia impossível. Ela se tornou parte da linhagem de Cristo.

José foi traído pela própria família. Foi vendido como escravo pelos seus irmãos, acusado falsamente, jogado na prisão, esquecido por anos. E no final de sua história, ele disse algo que ainda ecoa: Vocês planejaram fazer o mal contra mim, mas Deus planejou transformar isso em bem. Ele não disse que o mal não foi real. Disse que Deus é maior do que o mal.

Maria Madalena chegou ao sepulcro antes do amanhecer, chorando. Era a primeira pessoa a encontrar Jesus ressurreto, e ele a chamou pelo nome. Maria. Uma mulher que tinha sido libertada de uma vida de escuridão, que era invisível para a sociedade de seu tempo, foi a primeira testemunha da maior notícia da história. Deus não apenas restaurou sua vida. Ele fez dela uma mensageira.

Paulo escreveu uma das frases mais poderosas sobre sofrimento e propósito: Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de todo consolo, que nos consola em todas as nossas tribulações, para que nós possamos consolar os que estão em qualquer tribulação, com o consolo com que nós mesmos somos consolados por Deus. Sua dor se tornou vocabulário. A linguagem do que ele viveu se tornou a linguagem com que pôde alcançar outros.

Deus não apenas acompanhou essas pessoas no sofrimento. Ele foi virando as páginas das histórias delas, uma por uma, até que o que parecia o fim se tornou o começo de algo que elas não poderiam ter imaginado.

Deus é um arquiteto que projeta campos assim. Abundância. Cor. Vida que transborda para além das bordas. O que você viveu não era o plano original. Era uma interrupção. E o arquiteto ainda guarda o projeto.
Deus é um arquiteto que projeta campos assim. Abundância. Cor. Vida que transborda para além das bordas. O que você viveu não era o plano original. Era uma interrupção. E o arquiteto ainda guarda o projeto.

A Cruz: Deus Entrou no Sofrimento

Esta é a resposta mais profunda, e a mais difícil de receber rapidamente, por isso não há pressa.

A fé cristã não oferece um Deus que senta acima do sofrimento, intocado, administrando tudo de uma distância segura. Ela oferece um Deus que entrou nele. Que se tornou humano. Que foi traído por alguém próximo. Que foi acusado falsamente. Que foi submetido à crueldade daqueles que tinham poder sobre ele. Que sofreu em seu corpo. Que morreu.

A cruz não explica o sofrimento. Mas ela significa que Deus não é estranho a ele. Quando você estava no seu pior momento, perguntando por que Deus me abandonou, você não estava clamando para alguém que não conseguia entender. Você estava clamando para alguém que sabe, por dentro, o que é estar desamparada nas mãos de quem deveria ter te protegido.

Ele sabe.

E o sepulcro não foi o fim da história de Jesus. Isso também é parte do que a cruz nos diz.


O Que Fazer Agora Que Você Saiu

Se você saiu da situação de violência, ou está saindo, há um caminho à sua frente. E ele começa com uma decisão que parece simples mas é profundamente corajosa: decidir que você merece ser curada.

Busque cura de verdade. A saída física é o primeiro passo, não o último. O que aconteceu com você deixou marcas que não desaparecem sozinhas com o tempo. Busque apoio psicológico, terapia, grupos de mulheres que viveram o mesmo. Permita que pessoas competentes caminhem com você nesse processo. Deus usa pessoas, e ele colocou no mundo conselheiros, acompanhantes, comunidades para que a cura aconteça de verdade, não apenas por fora.

Permita que Deus restaure. O profeta Joel registrou uma promessa de Deus ao seu povo depois de anos de devastação: Eu vos restituirei os anos que o gafanhoto comeu. Isso não significa que os anos ruins foram bons. Significa que Deus é especialista em trabalhar com o que foi destruído. Ele não ignora as perdas. Ele as conhece. E ele é capaz de construir sobre os escombros algo que você ainda não consegue imaginar.

Deixe sua história se tornar luz para outras. Paulo escreveu que somos consoladas para que possamos consolar. Isso não é obrigação. Não é uma tarefa que você precisa começar agora. Mas quando a cura for acontecendo, você vai perceber que o que você viveu te deu uma linguagem que poucos têm. A mulher que passou pelo que você passou, que ainda está presa, que ainda não acredita que é possível sair, ela precisa ouvir de alguém que esteve lá. Você pode ser essa voz, no tempo certo, do jeito que for possível para você.

Ajude a prevenir. O sofrimento que você viveu não precisa se repetir em outra vida. Há formas de agir: conversando com quem está começando um relacionamento preocupante, apoiando organizações que acolhem mulheres em situação de violência, contando sua história onde ela puder ser ouvida. Cada voz que quebra o silêncio torna um pouco mais difícil para o abuso continuar escondido.

Antes de qualquer coisa ser construída, havia um projeto. E ele era cheio de cor, de vida, de intenção cuidadosa. O que aconteceu com você não estava nesse projeto. Não era o que estava desenhado para a sua vida.
Antes de qualquer coisa ser construída, havia um projeto. E ele era cheio de cor, de vida, de intenção cuidadosa.
O que aconteceu com você não estava nesse projeto. Não era o que estava desenhado para a sua vida.

O Que Essa Pergunta Ainda Não Responde

Mesmo com tudo isso, e eu digo isso de verdade, o silêncio talvez ainda pareça silêncio. A teologia pode não chegar ao lugar em você que ainda está esperando. Isso não é uma falha da sua fé. É o peso honesto do que você viveu.

Há perguntas que não serão respondidas completamente neste lado da eternidade. Por que tanto tempo. Por que aquela noite específica. Por que a oração que pareceu tão real não mudou o que aconteceu. Eu não sei. A coisa mais corajosa que posso fazer como pastora é dizer isso: eu não sei. E sentar com você nisso.

O que eu sei é que Deus não pede que você finja. Os salmos de lamento terminam às vezes em louvor, e às vezes terminam no meio do clamor. E Deus sustenta os dois.


Você Não Foi Abandonada

Se você chegou até aqui carregando a pergunta “por que Deus me abandonou”, quero que você leve uma coisa: essa pergunta não te disqualifica. Ela não é grande demais. Ela não é errada demais. Ela é humana, ela é bíblica, e Deus a conhece pelo nome.

El Roi, o Deus que te vê, ainda te vê.

E ele ainda tem propósitos com você.


O Que Você Pode Fazer Hoje

A cura não acontece em um dia, mas ela começa com escolhas pequenas e corajosas. Aqui estão algumas coisas concretas que você pode fazer agora, no tempo e no ritmo que for seu.

  • [ ] Ligar para o 180 (Central de Atendimento à Mulher, 24 horas) se ainda estiver em situação de perigo ou precisar de orientação
  • [ ] Contar para uma pessoa de confiança o que você viveu, mesmo que seja a primeira vez que você coloca em palavras
  • [ ] Buscar um serviço de apoio psicológico ou um grupo de mulheres que passaram pelo mesmo
  • [ ] Ler um Salmo de lamento em voz alta, como o Salmo 22, o Salmo 31 ou o Salmo 34, e deixar as palavras serem suas
  • [ ] Escrever uma carta honesta para Deus, sem filtro, com tudo o que você sente, incluindo a raiva
  • [ ] Dizer em voz alta, para você mesma: Eu mereço ser curada. O que aconteceu comigo não foi minha culpa.
  • [ ] Identificar uma organização local ou abrigo que acolhe mulheres em situação de violência e guardar o contato, seja para você ou para alguém que você conhece
  • [ ] Permitir-se descansar hoje sem culpa, sem precisar resolver tudo agora, sem precisar ser forte

Uma Oração Para Quando as Palavras Não Chegam

Deus, eu não entendo tudo o que aconteceu comigo, e não vou fingir que entendo. Mas escolho hoje te pedir que me ajudes a confiar em você de novo, mesmo que essa confiança seja pequena e cheia de perguntas. Eu sei que você me viu em cada momento, que você esteve comigo mesmo quando eu não conseguia te sentir, e que você não acabou com a minha história. E eu sei, mesmo que seja só uma centelha, que você me ama. Amém.


Se você está em uma situação de violência doméstica e precisa de apoio, você não está sozinha. Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher, disponível 24 horas por dia. Busque uma pessoa de confiança, um serviço de acolhimento, alguém que possa caminhar com você. Você merece ajuda, e ela existe.


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Se você está passando por um momento especialmente difícil e quer conversar com alguém de forma profissional, ligue para o 180. É a Central de Atendimento à Mulher, é sigiloso e não aparece na sua conta telefônica.

Se você estiver em perigo agora, ligue 190.

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