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Será que o que eu vivo é normal?

Dahlia misplaced in the middle of sunflowers

Por que eu fico em dúvida se o que vivo é normal?

Você já se fez essas perguntas?

Existem algumas perguntas que muitas mulheres carregam em silêncio por anos. Não porque não sabem a resposta. Mas porque têm medo do que a resposta significa.

E essas perguntas são: Isso que eu vivo é normal? Será que meu relacionamento é abusivo?

Se você chegou até esse texto, é porque essas perguntas já passaram pela sua cabeça. Talvez mais de uma vez. Talvez hoje de manhã, enquanto tomava café antes de todo mundo acordar. Talvez de madrugada, quando o silêncio da casa finalmente te deu espaço para pensar.

O fato de você estar aqui já diz alguma coisa.

Não vou fingir que não diz.

Uma das coisas mais difíceis de entender sobre relacionamentos abusivos é que eles raramente começam como abuso. Eles começam como amor. Como atenção intensa. Como alguém que parecia te entender melhor do que ninguém.

E porque começaram assim, a dúvida é quase inevitável. Porque você se lembra de como era antes. Você se lembra dos momentos bons. E os momentos bons são reais, não foram invenção sua. Isso torna tudo mais confuso, não mais simples.

A dúvida também existe porque você foi aprendendo, aos poucos, a questionar o que sente. Cada vez que você reclamou e foi chamada de exagerada. Cada vez que você teve certeza de algo e alguém te convenceu de que você entendeu errado. Cada vez que você saiu de uma discussão sem entender muito bem como, mas com a sensação de que a culpa era sua.

Quando isso acontece com frequência suficiente, você para de confiar no que sente. E quando você para de confiar no que sente, você começa a depender da opinião de alguém de fora para saber se o que está vivendo é real.

Esse é exatamente o mecanismo que mantém muitas mulheres presas. Não correntes. Dúvida.

Não precisa marcar todos. Um já diz muito.

  • Você pensa muito antes de falar, calculando como cada palavra vai ser recebida
  • Você sente alívio quando ele sai de casa, e culpa por sentir esse alívio
  • Você já mudou de planos, de roupa, de opinião, de amizades para evitar um problema
  • Você já se pegou contando uma história para uma amiga e omitindo partes porque sabia que ela ia se preocupar
  • Você já ficou com medo de como ele ia reagir a uma notícia boa
  • Você já se sentiu menor depois de uma conversa. Não brava. Menor.
  • Você já se desculpou por coisas que no fundo sabia que não eram culpa sua
  • Você se lembra de quando ria mais, saía mais, falava mais, e não sabe bem quando isso mudou

Esses momentos têm nome. E o nome não é exagero. Não é sensibilidade demais. Não é você sendo difícil.

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Será que todas as pessoas passam o que eu passo?

Em Juízes 16, encontramos Sansão apaixonado por Dalila. E Dalila, contratada pelos inimigos de Sansão para descobrir o segredo da sua força, usa exatamente isso, o amor dele, como ferramenta.

Ela pergunta: como você consegue ser tão forte?

Ele desconversa.
Ela insiste.
Ele inventa uma resposta.
Ela testa imediatamente.
Ele percebe que foi testado.
E fica mesmo assim.

Isso acontece três vezes.

Três vezes Sansão viu que Dalila estava do outro lado. Três vezes ele ficou.

Por quê? Não por burrice. Sansão era um homem extraordinário em muitas formas. Mas o versículo 16 diz algo que qualquer mulher que já viveu isso reconhece: como ela o importunasse todos os dias com as suas palavras e o pressionasse, sua alma se angustiou até a morte.

Ela não gritou. Não bateu.

Ela pressionou.

Todos os dias. Até ele não aguentar mais. Até ceder não por convicção, mas por exaustão.

E depois, enquanto ele dormia no colo dela, ela chamou quem viesse tirar o que restava.

A traição de Dalila não foi um momento. Foi uma estratégia. Construída com paciência, com lágrimas, com a frase que todo manipulador usa em alguma versão: “como você pode dizer que me ama, se não confia em mim?”

Isso não era amor. Era controle disfarçado de amor.

Em 1 Samuel 25, o texto descreve Nabal em duas palavras: duro e mau. Não é avaliação de um inimigo. É avaliação dos próprios servos dele, que acrescentam: “não há quem possa falar com ele.”

Abigail era sábia, respeitada, capaz. E precisava tomar decisões importantes às escondidas do próprio marido, porque sabia que se ele soubesse, tudo iria por água abaixo. O versículo 19 diz que ela não contou nada a Nabal.

Não foi falta de respeito. Foi sobrevivência.

Você conhece esse lugar? Onde você planeja, decide, age, e só depois pensa em como vai contar para ele, ou se vai contar? Onde você já antecipa a reação antes de abrir a boca?

Abigail não era menos por isso. Ela era uma mulher tentando fazer o bem dentro de uma situação que não escolheu.

Mas o texto não termina com ela naquele casamento. Deus viu. E abriu outro caminho.

Muitas mulheres chegam a um ponto em que o critério para avaliar o relacionamento é: mas ele não me bate. Comigo foi assim. Meu ex nunca me bateu. Como se ausência de violência física fosse a régua do amor saudável.

Não é.

Em 1 Coríntios 13, Paulo descreve o amor como paciente, bondoso, que não se irrita facilmente, que não guarda rancor, que não se regozija com a injustiça. Não como um ideal impossível, mas como uma direção. Como algo que se reconhece quando está presente e também quando está ausente.

João 10:10 diz que o ladrão vem para roubar, matar e destruir. Mas Jesus veio para que tenhamos vida, e a tenhamos em abundância.

Me pergunto: o que está sendo roubado de você? Sua alegria? Sua amizade com outras mulheres? Sua confiança no que você sente? Seu senso de quem você é fora desse relacionamento?

Se algo está roubando, isso merece atenção.

As vezes é necessário trocar de vaso e substrato para crescer saudável
Às vezes é necessário trocar de vaso e substrato para crescer saudável

Não vou fazer uma lista de sinais como se fosse um teste de revista. Você já sabe o que está sentindo. O que talvez você precise é de alguém que diga em voz alta: o que você está descrevendo tem nome.

  • Controle emocional.
  • Isolamento gradual.
  • Manipulação.
  • Gaslighting, que é quando alguém te convence sistematicamente de que você entendeu tudo errado.
  • Pressão constante.
  • Exaustão como estratégia.

Esses são padrões. E padrões não são acidente.

Reconhecê-los não significa que você vai precisar tomar uma decisão agora. Significa apenas que você pode parar de gastar energia fingindo que não existe o que existe.

Senhor, eu estou cansada de não saber o que é real. Estou cansada de duvidar do que sinto. Estou cansada de explicar para mim mesma por que está tudo bem quando alguma coisa em mim sabe que não está. Eu Te peço clareza. Não a clareza que me força a uma decisão que não estou pronta para tomar. Mas a clareza que me deixa ver o que está de fato acontecendo. Me dá coragem para ser honesta comigo mesma. E me ajuda a entender que buscar ajuda não é fraqueza. É o próximo passo. Amém.

Falar com uma psicóloga não significa que você está com o relacionamento acabado. Significa que você está levando a sério o que está sentindo.

Uma profissional pode te ajudar a entender o que está vivendo, organizar o que está confuso, e pensar nos próximos passos sem julgamento e sem pressa. Você merece ter esse espaço.

Se você está no Brasil, o CAPS e o CRAS oferecem atendimento psicológico gratuito. Leva o seu nome, um documento, e pede atendimento. Você tem esse direito.

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